Shigella Resistente a Remédios Deixa Parte dos Casos Quase sem Tratamento

Shigella Resistente a Remédios Deixa Parte dos Casos Quase sem Tratamento
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[Texto Informativo, sempre procure um profissional da Saúde]

Uma bactéria que causa diarreia e também passa pelo contato sexual está ficando cada vez mais resistente aos antibióticos. O nome dela é Shigella. Autoridades dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Europa alertam que, em parte dos casos, os remédios de uso comum já não funcionam direito.

Nos Estados Unidos, o CDC analisou amostras coletadas de 2011 a 2023. Cerca de 3% eram de resistência extensa. Essa fatia era zero entre 2011 e 2015 e chegou a 8,5% em 2023. Resistência extensa quer dizer que a bactéria não responde a cinco antibióticos usados no tratamento: ampicilina, azitromicina, ceftriaxona, ciprofloxacino e a combinação de trimetoprima com sulfametoxazol.

Para essas cepas, não há comprimido aprovado pela agência reguladora americana. A maior parte dos casos resistentes foi em homens adultos. Entre os pacientes com informação sobre HIV, 46,6% também tinham o vírus. Entre os que tinham dado de internação, 37,6% foram hospitalizados. Não houve morte nesse grupo analisado.

Na Inglaterra, a agência de segurança sanitária registrou alta nos diagnósticos de Shigella transmitida pelo sexo em 2025, na comparação com 2023 e 2024. Nas amostras enviadas para um teste mais detalhado, e não em todos os diagnósticos, 86% de um tipo (sonnei) e 94% de outro (flexneri) mostraram resistência em 2025. Mais da metade dos casos de sonnei nesse recorte era de resistência extensa.

A maioria das pessoas melhora sem remédio. Quem fica grave precisa de tratamento, e as opções estão mais curtas. O centro europeu de prevenção e controle de doenças informou, em maio de 2026, infecções ligadas a sete grupos dessa bactéria desde 2023, na Europa e nos Estados Unidos. O problema aparece sobretudo, mas não só, em homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens.

Um estudo da Universidade de Cambridge, publicado na revista Lancet Infectious Diseases, mostrou que, no fim do período analisado, mais de 70% das cepas ligadas ao sexo resistiam a pelo menos um antibiótico de uso clínico. Nas outras vias, eram 40%. Nos casos de viagem, 49%. As cepas resistentes dessa via também se espalharam 71% mais rápido que as sensíveis.

A geneticista Kate Baker disse que, em cerca de dez anos, a doença passou de relativamente tratável para perto de intratável, com várias variantes ao mesmo tempo. A Shigella causa diarreia, que pode vir com sangue, dor na barriga e febre, em geral de um a quatro dias depois do contágio. Bastam poucas bactérias para infectar. Elas passam pelas fezes, inclusive no sexo. O aumento da resistência e a falta de opções nos casos graves já estão confirmados. Vacina licenciada ainda não existe. Há candidatos em estudo, mas isso continua só como expectativa.

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Jefferson Freitas

Blogueiro, Empreendedor Digital, Cientista da Computação (Ulbra) e Pós em Gestão Empresarial (FGV) - contato@info4fun.com.br
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