Ataques de Tubarão Voltam a Assustar o Litoral de Pernambuco com Dois Casos em 48 Horas
O litoral da Região Metropolitana do Recife registrou dois ataques graves de tubarão em um intervalo de apenas dois dias. As ocorrências envolveram banhistas em praias tradicionais da região e reacenderam o alerta das autoridades sobre os riscos de entrar na água em áreas sinalizadas. Com os novos registros, o estado atingiu a marca de 84 incidentes contabilizados desde o início da série histórica em 1992.
O primeiro caso aconteceu na tarde de domingo, 31 de maio, na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Um menino de 11 anos foi mordido na área rasa por um tubarão-cabeça-chata de aproximadamente 2,5 metros de comprimento. A gravidade dos ferimentos na coxa e na nádega exigiu a amputação completa da perna esquerda no Hospital da Restauração, além do tratamento de fraturas na mão provocadas pela tentativa de defesa da vítima.
Já na segunda-feira, 1º de junho, uma jovem de 19 anos sofreu um novo ataque na Praia de Boa Viagem, no Recife. De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a suspeita principal aponta para um tubarão-tigre adulto de cerca de três metros, e a vítima também precisou passar por cirurgia de emergência devido às graves lesões na perna direita.
Especialistas em biologia marinha reforçam que a recorrência de incidentes em Pernambuco se deve a uma combinação de fatores geográficos e impactos ambientais antigos. A costa possui canais profundos muito próximos da faixa de areia, o que serve de corredor natural para predadores de grande porte quando a maré sobe.
Além disso, as alterações ecológicas provocadas pela construção do Complexo Portuário de Suape nas décadas passadas removeram áreas de alimentação tradicionais dessas espécies, empurrando os animais em direção às praias urbanas.
O Cemit e o Corpo de Bombeiros ressaltam a importância de respeitar rigorosamente as placas de proibição e advertência espalhadas pela orla para evitar novas tragédias.
Para mitigar os riscos e garantir a segurança na orla, o Corpo de Bombeiros e o Cemit reforçam as principais recomendações sobre como evitar novos ataques na região. A orientação fundamental é respeitar integralmente a sinalização local, evitando o banho de mar nos trechos considerados de alto risco.
Também é crucial não entrar na água em períodos de maré alta, quando os canais profundos facilitam a aproximação de animais de grande porte da faixa de areia. Banhistas devem evitar o mar nos horários de início e fim do dia, momentos em que os predadores estão em plena atividade de caça, e afastar-se da água caso apresentem qualquer tipo de sangramento, que atrai o olfato apurado dessas espécies.
Outro cuidado importante é não utilizar objetos brilhantes ou joias, que podem ser confundidos com o reflexo de escamas de peixes sob a luz solar.


