O SUS realmente é de Graça? Entenda a Complexidade por Trás da Gratuidade

O SUS realmente é de Graça? Entenda a Complexidade por Trás da Gratuidade

A ideia de ter acesso à saúde sem custos diretos no momento da utilização é, sem dúvida, um dos maiores pilagres do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. Mas será que o SUS é realmente de graça? A resposta, como muitas coisas na vida, é mais complexa do que um simples sim ou não.

À primeira vista, sim, o SUS é gratuito para o cidadão que busca atendimento. Você pode ir a um posto de saúde, pronto-socorro ou hospital público e receber tratamento, exames, medicamentos e até cirurgias sem precisar desembolsar dinheiro na hora.

Essa gratuidade no ponto de uso é um princípio fundamental do SUS, garantido pela Constituição Federal, que o estabelece como um direito de todos e dever do Estado.

De onde vem o dinheiro para manter o SUS?

A questão da “gratuidade” reside no fato de que, embora você não pague diretamente pelo serviço, o SUS é financiado por impostos.

Ou seja, indiretamente, todos os cidadãos brasileiros, inclusive você, contribuem para a sua manutenção por meio dos tributos que pagam ao longo do ano – seja no consumo de produtos, nos rendimentos, na posse de bens, etc.

Esse dinheiro arrecadado é direcionado para as diversas esferas do governo (federal, estadual e municipal) e, uma parte dele, é obrigatoriamente destinada à saúde.

É com esses recursos que o SUS paga os profissionais, compra equipamentos, constrói e mantém unidades de saúde, adquire medicamentos e financia todas as suas operações.

O custo invisível da saúde pública

Portanto, quando falamos em “saúde de graça”, estamos nos referindo à ausência de cobrança no momento do uso do serviço. No entanto, existe um custo social e econômico por trás desse sistema. Esse custo se manifesta em:

  • Carga tributária: Todos contribuímos, em maior ou menor grau, para o financiamento do SUS.
  • Investimento em infraestrutura: A construção e manutenção de hospitais, postos de saúde e equipamentos são caras.
  • Profissionais e insumos: Os salários dos médicos, enfermeiros e demais profissionais, assim como a compra de medicamentos e materiais, representam gastos contínuos.

Por que a “gratuidade” é tão importante?

Apesar de ser financiado por impostos, o princípio da gratuidade no ponto de uso é crucial por diversas razões:

  • Acesso universal: Garante que todos, independentemente de sua renda ou condição social, tenham acesso à saúde. Isso é fundamental para a justiça social e para evitar que doenças se agravem por falta de tratamento.
  • Redução de desigualdades: Minimiza as disparidades no acesso à saúde entre diferentes classes sociais, promovendo um sistema mais equitativo.
  • Saúde pública e prevenção: Permite que o SUS atue em programas de prevenção de doenças e campanhas de vacinação em massa, beneficiando toda a população e evitando gastos maiores com tratamentos complexos no futuro.

Em suma, o SUS não é “de graça” no sentido de não ter custo algum.

Ele é um investimento coletivo da sociedade brasileira, financiado pelos impostos que todos pagamos. A “gratuidade” que percebemos no momento do atendimento é o resultado dessa contribuição conjunta, que busca garantir o direito fundamental à saúde para todos os cidadãos.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a organização não governamental Contas Abertas, em 2019 o setor público gastou R$ 3,83 per capita por dia com a saúde dos brasileiros.

Para calcular o custo mensal, basta multiplicar esse valor por 30 (dias do mês): R$ 3,83/dia×30 dias= R$ 114,90.

Você já parou para pensar no impacto do SUS na sua vida ou na vida de alguém que você conhece? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Jefferson Freitas

Blogueiro, Empreendedor Digital, Cientista da Computação (Ulbra) e Pós em Gestão Empresarial (FGV) - contato@info4fun.com.br
0 Comentários