Ashton Kutcher e o Caso do Estripador de Hollywood
O ator norte-americano Ashton Kutcher esteve indiretamente envolvido em um dos casos criminais de maior repercussão dos Estados Unidos nos últimos anos. Em fevereiro de 2001, a estudante de design de moda Ashley Ellerin, de 22 anos, foi brutalmente assassinada em sua residência localizada em Hollywood, na Califórnia. Na noite do crime, a jovem tinha um encontro agendado com o próprio ator. A proximidade de Kutcher com os acontecimentos daquela noite fez com que ele se tornasse uma testemunha crucial para que os investigadores pudessem reconstruir a linha do tempo e entender os últimos momentos de vida da vítima.
Na noite de 21 de fevereiro de 2001, Ashton Kutcher havia combinado de buscar Ashley Ellerin em sua casa para irem juntos a uma festa pós-cerimônia do Grammy. O ator ligou para a jovem no início da noite para avisar sobre o horário, mas acabou se atrasando devido a compromissos anteriores. Quando chegou à residência de Ashley por volta das vinte e duas horas e quarenta minutos, as luzes da casa estavam acesas, mas ninguém respondeu aos seus chamados na porta. Ao olhar através da janela da frente para verificar se havia alguém no local, Kutcher notou uma mancha escura no chão. Ele presumiu que a mancha fosse vinho tinto derramado durante uma reunião anterior e deduziu que a jovem havia saído sem ele por conta do atraso.
A realidade por trás daquela cena só foi descoberta na manhã do dia seguinte. A colega de quarto de Ashley Ellerin retornou ao imóvel e encontrou o corpo da estudante sem vida no corredor, do lado de fora do banheiro. O relatório pericial apontou que a vítima havia sido esfaqueada 47 vezes em um ataque de extrema violência. A mancha que o ator avistara pela janela da residência na noite anterior era, na verdade, o sangue da vítima. Ao tomar conhecimento da tragédia através dos meios de comunicação, Ashton Kutcher entrou em pânico ao perceber que havia tocado na maçaneta da porta e deixado suas impressões digitais no local.
O ator procurou as autoridades policiais imediatamente para relatar sua presença no local na noite anterior e prestar esclarecimentos espontâneos. Os investigadores da Polícia de Los Angeles descartaram a participação de Kutcher no crime e passaram a tratá-lo exclusivamente como testemunha de contexto temporário. A investigação inicial sobre o homicídio de Ashley Ellerin encontrou dificuldades devido à ausência de suspeitos imediatos e à falta de provas conclusivas na cena do crime, o que fez com que o caso permanecesse sem solução por diversos anos.
O verdadeiro responsável pelo crime era Michael Thomas Gargiulo, um reparador de aparelhos de ar-condicionado e antigo segurança de casa noturna que ficou conhecido publicamente como o Estripador de Hollywood. Gargiulo costumava se aproximar de suas vítimas de maneira prévia, morando perto de suas residências ou oferecendo ajuda para pequenos consertos antes de agir. O histórico criminoso de Gargiulo havia começado anos antes, em agosto de 1993, no estado de Illinois, quando assassinou a jovem Tricia Pacaccio, de 18 anos, que era irmã de um amigo de sua infância.
Após o homicídio em Illinois, Gargiulo mudou-se para o sul da Califórnia, onde deu continuidade à sequência de atos violentos. Além do assassinato de Ashley Ellerin em 2001, o criminoso atacou outra vizinha em dezembro de 2005 na localidade de El Monte. A vítima, Maria Bruno, de 32 anos e mãe de quatro filhos, foi morta dentro de seu apartamento com dezessete golpes de faca. A forma sistemática de atuação e a ausência de um motivo aparente complicaram o trabalho das forças de segurança durante quase uma década.
O avanço decisivo nas investigações ocorreu apenas em abril de 2008, durante uma tentativa de homicídio na cidade de Santa Mônica. Michael Gargiulo invadiu a residência de Michelle Murphy para atacá-la, mas a vítima reagiu de forma enérgica e lutou por sua vida. Durante a luta corporal, o agressor acabou se cortando com a própria faca e fugiu do local deixando marcas de sangue. A coleta do material genético na cena do crime permitiu que os peritos identificassem o perfil de DNA de Gargiulo, vinculando-o diretamente aos outros homicídios não solucionados.
Em maio de 2019, o julgamento de Michael Gargiulo teve início no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles. Ashton Kutcher compareceu ao tribunal para prestar depoimento perante o júri. Em seu testemunho, o ator detalhou passo a passo a sua chegada à casa de Ashley Ellerin, as tentativas de contato e a observação da mancha no chão. O depoimento do ator foi fundamental para fixar a hora aproximada em que o crime ocorreu e confirmar que a jovem já não respondia aos chamados no momento em que ele esteve no imóvel.
O júri considerou Michael Gargiulo culpado pelas acusações de homicídio de primeiro grau em relação a Ashley Ellerin e Maria Bruno, além da tentativa de homicídio contra Michelle Murphy. Em julho de 2021, o juiz Paul Fidler sentenciou o réu à pena de morte pelo conjunto dos crimes cometidos na Califórnia. O desfecho do julgamento encerrou um longo processo judicial que se estendeu por duas décadas, trazendo respostas definitivas sobre o caso.



