Cidade Universitária do Amazonas: O Megaprojeto Esquecido na Floresta

Cidade Universitária do Amazonas: O Megaprojeto Esquecido na Floresta
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A Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos e polêmicos da história recente da Região Norte. Idealizado para unificar os campi da instituição e criar um polo de desenvolvimento tecnológico e social, o complexo deveria ocupar uma área gigantesca de mais de 13 milhões de metros quadrados, o que superaria com folga a Cidade Universitária da UFRJ (Fundão), no Rio de Janeiro. A proposta inicial pretendia entregar as primeiras estruturas acadêmicas ainda em 2014, mas o local se transformou em um símbolo de obras inacabadas no país.

Projetada para ser erguida na margem direita do Rio Negro, no município de Iranduba, a megaestrutura foi desenhada para abrigar não apenas salas de aula e laboratórios, mas uma estrutura urbana autossuficiente. O plano diretor previa a construção de reitoria, prédios para os cursos de ciências da saúde, sociais e tecnologia, hospital-escola com 200 leitos, alojamentos estudantis com capacidade para duas mil vagas, eixos rodoviários internos e até estruturas voltadas para o turismo ecológico e hotelaria. O objetivo principal era facilitar o acesso e a moradia para estudantes vindos do interior do estado do Amazonas.

Lançado oficialmente em 2012, o empreendimento completo estava inicialmente orçado em R$ 300 milhões, sendo que a primeira etapa das construções civis foi licitada por R$ 150,5 milhões. Contudo, relatórios de órgãos de controle e levantamentos financeiros apontam que o governo estadual realizou repasses substanciais ao longo dos anos, acumulando um valor gasto que varia entre R$ 92 milhões e R$ 147 milhões aplicados em serviços de terraplanagem, indenizações e na abertura da estrada de acesso.

Apesar das cifras milionárias investidas, os trabalhos perderam força e foram atingidos por impasses judiciais e fiscalizações de órgãos de controle. Em 2017, ações civis públicas resultaram na suspensão das intervenções e, nos anos seguintes, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) declarou oficialmente o abandono das instalações, cujas estimativas para conclusão saltaram para a casa dos R$ 700 milhões. Atualmente, o cenário da ambiciosa cidade acadêmica se resume a estruturas de concreto inacabadas que estão sendo progressivamente tomadas pela vegetação amazônica, gerando debates contínuos entre a comunidade acadêmica e o poder público sobre a destinação ou o reaproveitamento da área.

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