Milton Nascimento, a Demência e o Tempo: Um Coração de Estudante na Luta

Milton Nascimento, a Demência e o Tempo: Um Coração de Estudante na Luta
Compartilhe:

A notícia do diagnóstico de Demência com Corpos de Lewy (DCL) em Milton Nascimento, nosso Bituca, tocou fundo em todos que entendem a importância de sua obra. Não é apenas a saúde de um ícone que está em jogo, mas a fragilidade humana que atinge até mesmo a voz que cantou a mais pura poesia sobre a vida, o tempo e a memória.

Para muitos, a demência é apenas a perda de memória associada ao Alzheimer. A DCL, no entanto, é uma condição mais complexa e que, simbolicamente, parece refletir as nuances de uma obra tão vasta quanto a de Milton.

O Que é a Demência com Corpos de Lewy (DCL)?

A Demência com Corpos de Lewy é o terceiro tipo de demência mais comum, e é marcada por um quadro que mistura características do Alzheimer e do Parkinson (doença que Milton já tinha diagnóstico anterior).

Ela é causada pelo acúmulo de proteínas anormais (os chamados corpos de Lewy) nas células nervosas do cérebro. Esse acúmulo afeta áreas responsáveis pela cognição, pelo movimento e pelo comportamento.

Os ‘Três Lados’ da DCL

Assim como Milton navegou por diferentes estilos e temas em sua música, a DCL se manifesta em três grandes frentes:

  1. Sintomas Cognitivos Fluctuantes: A pessoa pode ter alterações bruscas no estado de alerta e na atenção, alternando momentos de lucidez e confusão. É como se a “estação” mental mudasse rapidamente.
  2. Problemas Motores (Parkinsonianos): Rigidez, lentidão de movimentos e tremores podem ocorrer, afetando a mobilidade, a destreza e o equilíbrio.
  3. Alucinações Visuais e Distúrbio do Sono REM: A visão de imagens vívidas e irreais (alucinações) é comum, assim como o ato de “encenar” os sonhos, com movimentos e falas durante o sono.

A Poesia de Milton e a Fragilidade da Memória

É inevitável não traçar um paralelo entre essa doença que afeta a memória e as canções que a celebram. Milton Nascimento nos deu “Encontros e Despedidas”, onde ele canta:

“E assim chegar e partir / São só dois lados da mesma viagem / O trem que chega / É o mesmo trem da partida.”

A DCL, ao trazer a confusão e a repetição das histórias, parece subverter essa “viagem” da memória. A doença transforma a plataforma da estação, misturando a chegada e a partida, o que é novo e o que foi vivido.

O diagnóstico da DCL não apaga o legado, a melodia ou a voz que nos transformou. Pelo contrário, nos convida a entender a dimensão da batalha que ele e sua família enfrentam, com a mesma dignidade e poesia que sempre o caracterizaram.

Milton nos ensinou a valorizar cada “Canção da América”, cada momento e cada memória. Agora, cabe a nós usar essa lição para oferecer suporte, respeito e compaixão a quem nos deu a trilha sonora da vida.

Qual a sua canção favorita do Milton Nascimento que fala sobre o tempo ou a memória? Compartilhe nos comentários!

[PUBLICIDADE]

0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários