O Maníaco da Foice: A Lenda Sombria de Campo Largo – Paraná
Nos anos 1970, a pacata cidade de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, Paraná, foi palco de uma série de crimes brutais que marcaram a história local e deram origem a uma das lendas urbanas mais assustadoras do Brasil: a história do “Maníaco da Foice”, também conhecido como “Paraibinha”.
Este texto mergulha nos fatos conhecidos, nas especulações e no folclore que cercam esse caso, que ainda hoje desperta curiosidade e arrepios.
Quem era o Maníaco da Foice?
De acordo com relatos da época, Paraibinha era um criminoso que aterrorizava as estradas rurais de Campo Largo. Armado com uma foice, ele atacava viajantes, roubava seus pertences e, em muitos casos, matava suas vítimas com extrema violência.
O apelido “Paraibinha” sugeria uma possível origem nordestina, mas pouco se sabe sobre sua verdadeira identidade. Alguns acreditam que ele era um forasteiro, enquanto outros afirmam que era um morador local com um passado obscuro.
Os crimes atribuídos ao Maníaco da Foice eram marcados pela crueldade. Ele não se limitava a assaltos: suas vítimas eram frequentemente encontradas com cortes profundos e mutilações, o que alimentava o pânico na comunidade.
A escolha da foice como arma principal contribuía para o terror, pois o instrumento, comum em áreas rurais, transformava-se em um símbolo de morte nas mãos do assassino.
Um dos episódios mais conhecidos ligados ao Maníaco da Foice ocorreu quando ele invadiu uma casa em uma área rural. Segundo a lenda, ele roubou a família e assassinou todos os moradores, exceto um jovem de 13 anos chamado Paulo, que conseguiu se esconder em um armário no porão. Esse evento trágico teria sido o estopim para uma reviravolta na história do criminoso.
A Vingança do “Lobisomem”
A história do Maníaco da Foice toma um rumo quase sobrenatural quando entra em cena o jovem Paulo, o sobrevivente do massacre. Na comunidade, corria o boato de que Paulo era discriminado por ser considerado um “lobisomem”, uma figura lendária do folclore brasileiro.
Segundo a narrativa popular, em uma noite de lua cheia, Paulo, movido por vingança, teria seguido Paraibinha até uma estrada rural conhecida como Morro Grande.Reza a lenda que, ao perceber que estava sendo perseguido, Paraibinha olhou para trás e se deparou com uma criatura peluda e aterrorizante.
Em um confronto épico, Paulo, supostamente transformado em lobisomem, teria tomado a foice do criminoso e o matado com a mesma arma que ele usava contra suas vítimas. Golpes nas pernas, tronco e braços teriam colocado um fim ao reinado de terror do Maníaco da Foice.
Embora essa história tenha elementos fantásticos, ela reflete o desejo da comunidade de encontrar justiça diante de um criminoso que parecia invencível. Nunca houve provas de que Paulo realmente era um lobisomem ou de que o confronto ocorreu como descrito, mas a lenda persiste como parte do imaginário local.
O Corpo Mumificado e o Museu do IML
Após sua morte, o corpo de Paraibinha teria sido levado ao Instituto Médico Legal (IML) do Paraná, em Curitiba, onde foi submetido a um processo de mumificação.
Desde então, ele estaria exposto no Museu de Ciências Forenses, localizado dentro do próprio IML. O museu, conhecido por abrigar objetos de cenas de crimes e corpos preservados, tornou-se um ponto de curiosidade mórbida para visitantes.
Histórias sobrenaturais também envolvem o corpo mumificado. Ex-vigilantes do IML relatam que, em noites de lua cheia, o corpo de Paraibinha pareceria “ganhar vida”, rondando o prédio em busca de sua foice.
Há ainda o relato de que suas unhas e cabelos continuariam crescendo, exigindo que um funcionário do museu os corte periodicamente. Um caso curioso envolve o sumiço de uma foice pertencente a um jardineiro do IML, que muitos atribuíram à múmia do maníaco.
Embora essas histórias sejam provavelmente exageros ou parte do folclore, elas contribuem para manter viva a aura de mistério em torno do Maníaco da Foice.
Para quem deseja visitar o Museu de Ciências Forenses e ver o suposto corpo de Paraibinha, é necessário agendar uma visita guiada pelo telefone (41) 3361-7200, no endereço Rua Paulo Turkiewicz, 150, bairro Tarumã, Curitiba.
Fato ou Ficção?
A história do Maníaco da Foice mistura elementos reais e fictícios, como é comum em lendas urbanas. É provável que Campo Largo tenha sido palco de crimes violentos nas décadas de 1960 ou 1970, possivelmente cometidos por um ou mais criminosos que usavam uma foice.
A falta de registros detalhados e a ausência de investigações modernas na época permitiram que os fatos fossem distorcidos e enriquecidos com elementos sobrenaturais.
A figura do “lobisomem” pode ser interpretada como uma metáfora para a justiça popular ou para o desejo de que o mal fosse combatido com uma força igualmente poderosa.
Já as histórias sobre o corpo mumificado no IML reforçam a fascinação humana pelo macabro e pelo desconhecido.
O Legado do Maníaco da Foice
O caso do Maníaco da Foice permanece como uma das lendas mais intrigantes do Paraná, sendo tema de matérias jornalísticas, blogs e até livros, como os da pesquisadora Luciana do Rocio Mallon, que documentou diversas histórias do folclore curitibano.
A narrativa também reflete o contexto da época: uma sociedade rural, marcada por medos coletivos e pela crença em forças sobrenaturais.
Hoje, o Maníaco da Foice é mais do que um criminoso do passado; ele é um símbolo do terror que habita o imaginário popular.
Seja como um serial killer real ou como uma lenda urbana, Paraibinha continua a assombrar as noites de lua cheia em Campo Largo, lembrando-nos de que, às vezes, a realidade pode ser tão assustadora quanto a ficção.
E você, já ouviu alguma versão dessa história? Compartilhe nos comentários e nos conte o que acha: fato, lenda ou um pouco dos dois?


