O Rugido do Puma GT: A Criação do Ícone Esportivo Nacional

O Rugido do Puma GT: A Criação do Ícone Esportivo Nacional

A história do Puma GT se confunde com a própria era de ouro dos carros fora de série no Brasil. Nascido na década de 1960, um período marcado pela proibição das importações automotivas, o modelo surgiu da ousadia de mentes brilhantes que decidiram provar que o país saberia construir um autêntico Gran Turismo. O resultado foi um dos desenhos mais harmônicos e celebrados da indústria nacional.

A Origem nas Pistas: O DNA Malzoni

Tudo começou com o projetista e fazendeiro Rino Malzoni. Em 1964, a pedido da Vemag, ele desenvolveu um protótipo de metal com mecânica DKW para competir nas pistas brasileiras. O carro fez tanto sucesso nas competições que Malzoni se uniu a nomes lendários do automobilismo nacional, como Jorge Lettry, Anísio Campos e Milton Masteguin, para fundar a Lumimari, que logo mudaria de nome para Puma Veículos e Motores.

O primeiro modelo de rua derivado dessa experiência foi lançado oficialmente em 1967: o Puma GT, popularmente conhecido como Puma DKW. Ele trazia uma carroceria leve feita em plástico reforçado com fibra de vidro, montada sobre o chassi encurtado da Vemag.

O coração desse primeiro modelo era um motor dianteiro de 1,0 litro, com três cilindros e dois tempos, capaz de render 60 cv. Com apenas 800 kg, o pequeno cupê chegava perto dos 145 km/h, uma marca respeitável para a época. Foram produzidas apenas 125 unidades desse modelo inaugural, tornando-o uma das joias mais raras para colecionadores.

A Virada com a Volkswagen e a Inspiração Europeia

A trajetória do felino precisou mudar de rumo drasticamente no final de 1967, quando a Volkswagen comprou a Vemag e encerrou a produção dos motores dois tempos. Sem o fornecedor original, a Puma agiu rápido e redesenhou completamente o projeto para o ano seguinte.

Em 1968, nascia o Puma GT 1500, agora utilizando a plataforma do Karmann-Ghia encurtada em 25 centímetros e o motor traseiro Volkswagen boxer de 1.500 cc refrigerado a ar.

O novo desenho, assinado por Anísio Campos, trazia linhas fluidas que remetiam a grandes máquinas europeias da época, como o Lamborghini Miura. A ausência de grade frontal e as marcantes tomadas de ar laterais traseiras davam ao cupê uma identidade visual agressiva e fluida. Com o motor a ar recebendo um kit de dupla carburação e escapamento dimensionado, a potência se mantinha em 60 cv, mas o peso caía para apenas 640 kg, elevando a velocidade máxima para 150 km/h.

Evolução e Legado do Felino

O sucesso da mecânica alemã com desenho brasileiro transformou o Puma GT em um verdadeiro fenômeno de vendas e no principal sonho de consumo da juventude do país. A receita deu tão certo que serviu de base para as evoluções seguintes da marca.

  • Puma GTE (1970): O modelo evoluiu com a adoção do motor 1.600 cc de 70 cv, ganhando a sigla que significava “Gran Turismo Exportação”, marcando o início das vendas para outros países.
  • A Transição para a Brasília (1976): O chassi do Karmann-Ghia foi substituído pela base da VW Brasília, o que alargou a bitola do carro e trouxe as famosas janelas laterais traseiras, apelidadas de “guelras de tubarão”.
  • Modelos Posteriores: A linha se expandiu com as versões conversíveis (Spyder e GTS), o raro P-018 e o imponente GTB, este último equipado com o motor de seis cilindros do Chevrolet Opala.

Embora a fábrica original tenha encerrado suas atividades em meados dos anos 80 após crises financeiras e incêndios na linha de montagem, o Puma GT permanece eternizado. Ele provou que o mercado nacional era capaz de criar designs apaixonantes e eficientes, unindo a beleza das linhas europeias com a simplicidade e robustez da mecânica nacional.

Como entusiasta de carros antigos, o que mais impressiona você no Puma GT? É a engenhosidade de extrair um visual superesportivo da mecânica do Fusca ou a raridade das primeiras versões DKW? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e participe da conversa!

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