Tuco-Tuco: O Pequeno Engenheiro das Areias Gaúchas que Luta para Não Desaparecer
Imagine caminhar pelas dunas do litoral norte do Rio Grande do Sul e, de repente, perceber um movimento discreto na areia. Sob seus pés, em uma rede complexa de túneis que podem chegar a 15 metros de extensão, vive um habitante exclusivo e fascinante: o tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni). Este roedor, que recebe seu nome popular devido ao som característico “tuc-tuc” emitido pelos machos, é uma espécie endêmica, o que significa que não existe em nenhum outro lugar do planeta a não ser na estreita faixa de dunas costeiras entre o Chuí e Arroio do Sal.
Com um corpo cilíndrico adaptado perfeitamente à vida subterrânea, o tuco-tuco possui uma pelagem bege que se camufla com a areia, olhos pequenos e orelhas reduzidas para facilitar o deslocamento nos túneis. Suas patas dianteiras são verdadeiras ferramentas de escavação, enquanto as traseiras possuem pelos rígidos que funcionam como pentes para empurrar a terra. Apesar de sua aparência simpática e inofensiva, eles não transmitem doenças aos humanos e são estritamente herbívoros, alimentando-se de raízes e gramíneas, esses pequenos animais enfrentam um desafio colossal pela sobrevivência.
O Silencioso Alerta de Extinção
Atualmente, o tuco-tuco-das-dunas está classificado como criticamente ameaçado de extinção. O principal vilão dessa história é a perda de habitat. A urbanização acelerada do litoral gaúcho, a construção de calçadões e a destruição das dunas frontais para projetos imobiliários reduzem drasticamente o espaço onde eles podem viver. Além disso, o simples pisoteio excessivo por veranistas e a presença de animais domésticos ou gado nas dunas comprometem a integridade de suas galerias, muitas vezes soterrando os indivíduos ou isolando populações, o que gera problemas genéticos a longo prazo.
Por que Preservar o Tuco-tuco?
Eles são considerados “engenheiros de ecossistema”. Ao escavarem seus túneis, os tuco-tucos revolvem o solo, ajudando na ciclagem de nutrientes e no crescimento da vegetação de duna, que é essencial para proteger a costa contra a erosão. Além disso, fazem parte de uma rica teia alimentar, servindo de presa para corujas-buraqueiras, graxains e gaviões. Projetos como o Projeto Tuco-tuco, liderado pela UFRGS, buscam educar a população e sinalizar áreas de preservação, reforçando que a convivência é possível se respeitarmos o espaço desses antigos moradores que habitam nossas areias há milhares de anos.
O tuco-tuco é um símbolo da biodiversidade gaúcha que pede socorro debaixo dos nossos pés. É um lembrete de que a beleza do nosso litoral vai muito além do mar: ela está enraizada na preservação de cada pequeno ser que mantém esse ecossistema vivo.
Você já teve a oportunidade de avistar um tuco-tuco ou viu as placas de preservação nas praias gaúchas? Acredita que a conscientização dos veranistas pode salvar a espécie? Participe da discussão nos comentários abaixo!


